27 de Abril de 2009

Normalmente, não gosto de julgar os outros porque não sei quando esse julgamento vai recair sobre mim. Prefiro olhar todos por igual. Respeitar os mais calados, os que coram com um elogio e temem, muitas vezes, a palavra. Ou os que riem com vontade, falam sem medo e se intrometem mesmo que inoportunamente. Na maior parte das vezes, recuso-me apontar o dedo porque sei que, um dia, ele vai voltar-se contra mim. Prefiro antes manter-me atenta. Saber observar sempre foi uma das minhas melhores qualidades. Conhecer pelo olho. Sentir pelos gestos. Perceber pelas atitudes. Muitas vezes, não troco sequer uma palavra. Posso até criar uma ideia mas não a transmito a ninguém. Fica comigo até ao dia em que possa comprová-la. Não julgo. Penso. E disso sim me acho com direito.  

Não gosto de dizer que não gosto porque. O porque sempre me pareceu demasiado forçado, demasiado pouco para poder ser considerado. Não gosto de justificar o que não sei nem conheço. Sempre soube respeitar todos na sua personalidade. Porque se há algo de único em alguém é precisamente isso. Esse pequeno centro que nos atrai e repela, simultaneamente. Esse pequeno dote que, sendo parte inato, e outra conquistado (diariamente), é sempre nosso (meu, teu, dela, dele) e, por isso, verdadeiramente especial. Pena que nos recusemos a conhecer aqueles que, certas vezes, fogem do nosso. Acredito que muitos se reencontrassem no centro que os repele e que tantos outros se perdessem no que os atrai. Trata-se apenas de aceitar. De observar, por vezes em silêncio, e de ser, sobretudo, tolerante. Perceber que o ser humano é de tal forma grandioso e complexo que, muitas vezes, ele próprio deixa de se reconhecer no seu corpo e alma e tudo mais que lhes acresce. Prefiro, por isso, a tolerância à incompreensão. Aceitar alguém pelo que é, foi ou fez do que rejeitá-lo à partida sem conhecer o que poderá ser. Ver por mim, porque não há olhos que leiam melhor do que os nossos.          

publicado por Inês Alves às 22:17
22 de Abril de 2009

Somos tão pequenos e egoístas quando não percebemos nem damos valor a quem realmente esteve e está sempre do nosso lado, independentemente de precisarmos ou não.

 

Obrigada pelo carinho, pela dedicação, amor, lealdade e paciência (muita). 

 

Por teres (sempre) ligado quando me sentias preocupada. Por teres (sempre) pedido desculpa até mesmo quando sabias que não tinhas culpa. Por teres (sempre) agarrado a minha mão, até quando eu não merecia. Por teres (sempre) estado aí.

 

Por teres rido e chorado comigo. Por me teres posto bem disposta sempre que estava de trombas. Pelo apoio. Incondicional (e sublinho: incondicional). Pela palavra (sempre oportuna). Por acreditares em mim e me mostrares que há sempre um lado bom. 

 

Pela tua simplicidade, honestidade, humildade, respeito e sentido de sacrifício pelos outros. É isso que faz de ti um homem com H (note-se: maiúsculo).

  

Obrigada por seres quem és e estares comigo a tempo inteiro, apesar de nem sequer estarmos juntos.

  

Um abraço apertado de quem te quer (para sempre) bem e vai (sempre) torcer por ti e pela tua felicidade.

publicado por Inês Alves às 11:53
11 de Abril de 2009

Hoje, estou como o tempo: nublada e a puxar para o cinzento (se é que é possível). Sinto falta do que não tenho e anseio aquilo que ainda não vivi. Por que é que o tempo se organiza segundo horas tão precisas e não podem elas antes correr aos tropeções para apressar a caminhada? Alguém de quem gosto muito responder-me-ia agora: "porque com pressa não se chega a lado nenhum". E teria razão. Mas, hoje tenho, definitivamente, pressa. E estou claramente agitada. E rabugenta. E irritada com a minha cabeça, que simplesmente não pára. Que nervos! Que coisa é esta que faz tanto barulho cá dentro? Estou como o tempo. Aquele que faz lá fora e o que observo da janela do meu quarto, de onde escrevo. Se estivesse no quintal estaria certamente bem mais calma. Se pudesse caminhar na minha praia deixaria de me sentir tão inquieta. Mas, não posso. O tempo está nublado e cinzento e, de quando em vez, caiem gotas gordas que me deixam sem vontade para sair. O tempo está assim e eu estou com ele, por solidariedade. Mas, amanhã quero estar diferente. E segunda, terça, quarta ou quinta quero ainda mais. Por isso, tempo, põe-te bom! Aviso-te já que detesto estar deprimida e torno-me uma pessoa insuportável neste estado. Não vais conseguir aturar-me... Vá, anima-me! Não quero perder tempo. Até porque, detesto as núvens que me circundam e me fazem derramar água que simplesmente não posso gastar. Para além de ser um bem essencial que deve ser preservado, é também aquele que me alimenta o corpo. Ora, queres melhores razões do que estas para te pores já bom e impedires este consumo estúpido? Não vais encontrar. Garanto-te.

 

 

 

publicado por Inês Alves às 16:26
08 de Abril de 2009

Quando há quem aos 98 anos aguente 48 horas debaixo dos escombros e se entretenha a fazer tricot, tudo pode verdadeiramente ser possível na vida. Esta notícia, de uma senhora italiana que, depois da derrocada a que foi sujeita devido ao sismo que atingiu a Itália há poucos dias, fez-me pensar na relatividade da vida e no quanto damos importância a coisas que não merecem a pena enquanto deixamos que outras realmente importantes nos passem ao lado. Nós, que olhamos o acontecimento de fora - com a distância física necessária ao alheamento - vemo-lo com graça e somos até capazes de rir porque, no fundo, tudo terminou bem. Na verdade, é um episódio inédito e, por isso, desperta a nossa curiosidade. Podemos pensar: como é possível que alguém faça tricot enquanto tudo desmorona à sua volta? Vamos desculpar-nos com a idade, dizer que provavelmente a senhora tão pouco teve noção do que se passou, rirmo-nos mais ainda (não por gozo, nada disso, mas com a ternura com que normalmente sorrimos aos mais velhos quando nos transmitem alguma mensagem que crêem certa) quando lembrarmos que apenas pediu umas bolachas de água e sal e um pente quando os bombeiros a resgataram. Mas, a verdade é que com a consciência que não temos e a reflexão profunda que, alheados do verdadeiro sentir, desconhecemos, vamos esquecer-nos do que a senhora que fazia tricot e quis apenas um pente e umas bolachas já viveu para poder suportar aquilo. O que ela já sentiu e foi capaz de ver. A vida que está dentro dela e que lhe possibilitou encarar - porque tudo é relativo quando não são os mesmos olhos a olhar a mesma coisa - aquele momento daquela maneira. E quando questionarmos a sua calma e tranquilidade, a sua postura perante os factos imutáveis, independentemente da sua vontade, vamos perceber que a vida é aquilo que pretendemos que ela seja (porque são nossas as opções) e as coisas têm o valor que lhes queiramos atribuir. A mim, esta mulher de 98 anos ensinou-me que o desespero é inútil porque aquilo que tiver de ser será sempre e mais vale encará-lo com tranquilidade do que morrer de desgosto antes de conhecer o desfecho.      

publicado por Inês Alves às 20:59

Aprendi... que ninguém é perfeito enquanto não te apaixonas.

 

Aprendi... que as oportunidades nunca se perdem. Aquelas que desperdiças, alguém as aproveita.

 

Aprendi... que não posso escolher como me sinto, mas posso sempre fazer alguma coisa.

 

Aprendi... que todos querem viver no cimo da montanha, mas a felicidade está precisamente na subida.

 

 

 

 

 

publicado por Inês Alves às 14:30
05 de Abril de 2009

Preparava-me para sair e abri um caderno que, há pouco tempo, me ofereceram num trabalho. Na primeira página, sob uma imagem árida, de uma praia meio desertificada (que me fez lembrar a minha...), estava escrito: "Não deixe nada por dizer". Sorri. Era exactamente naquilo que pensava antes de o abrir. Nesse momento, desejei que o tempo pudesse voltar atrás. Horas apenas. Minutos (muitos) talvez. Às vezes, queria só poder sustê-lo, como sustenho a respiração em momentos de angústia ou aflição. Poder pará-lo, como páro a marcha quando acho que não vou ser capaz de prosseguir caminho. Retê-lo em mim o suficiente para conseguir sentir. Respirar fundo e ter a certeza de que nada faria de diferente e que, mesmo que não haja amanhã e que os desejos diminuam de intensidade, "houve qualquer coisa quente quando estiveste"

publicado por Inês Alves às 11:15

Há qualquer coisa de leve na tua mão,
Qualquer coisa que aquece o coração
Há qualquer coisa quente quando estás,
Qualquer coisa que prende e nos desfaz

Fazes muito mais que o sol
Fazes muito mais que o sol

A forma dos teus braços sobre os meus,
O tempo dos meus olhos sobre os teus
Desço nos teus ombros para provar
Tudo o que pediste para levar

Fazes muito mais que o sol
Fazes muito mais que o sol
Fazes muito mais que o sol
Fazes muito mais...

Tens os raios fortes a queimar
Todo o gelo frio que construí
Entras no meu sangue devagar
E eu a transbordar dentro de ti

Tens os raios brancos como um rio,
Sou quem sai do escuro para te ver,
Tens os raios puros no luar,
Sou quem grita fundo para te ter

Fazes muito mais que o sol
Fazes muito mais que o sol
Fazes muito mais que o sol
Fazes muito mais...

Quero ver as cores que tu vês
Para saber a dança que tu és
Quero ser do vento que te faz
Quero ser do espaço onde estás

Deixa ser tão leve a tua mão,
Para ser tão simples a canção
Deixa ser das flores o respirar
Para ser mais fácil te encontrar

Fazes muito mais que o sol
Fazes muito mais que o sol
Fazes muito mais que o sol
Fazes muito mais...

Vem quebrar o medo, vem
Saber se há depois
E sentir que somos dois,
Mas que juntos somos mais

(...)

publicado por Inês Alves às 11:06
28 de Março de 2009

Não gosto da ideia de que representamos, diariamente, vários papéis. Somos um só rosto, mas a nossa personalidade é capaz de multiplicar-se infinitamente, dependendo das circunstâncias e oportunidades. Não gosto disto e recuso aceitar que seja apenas assim.  Recuso dar-me com quem vê o outro como um objecto para alcançar um determinado fim e não como o fim em si mesmo. Mais: recuso-me a ser assim. Não quero acreditar que à minha volta exista quem me fale ou sorria somente por interesse. Posso aceitar que aconteça - seria ingenuidade da minha parte dizer que não -, mas não quero que sejam essas as pessoas que venham a rodear-me no futuro. Não quero muitos - nem sempre tem a ver com quantidade - mas quero melhor. Muito melhor perto de mim.    

Todos os dias faço pelo menos uma escolha. E se evito escolher, continuo, ainda assim, a optar. Escolher não escolher é, por si só, uma escolha. A vida constrói-se segundo elas e todos os dias contam, embora nem sempre percebamos isso. Há muito tempo escolhi a verdade. Nessa altura, percebi que só aceitaria ter comigo quem fizesse a mesma opção que eu.  Há menos tempo ainda compreendi que a liberdade também era importante e que o sentido da vida não estava somente em casar e constituir família. Era preciso mais. Tinha, e tem, de haver mais.

O passo, o verdadeiro ou os pequeninos que a medo vamos dando, dá-lo-ei somente quando tiver certeza de que não existe mais ninguém onde me encontre e me perca, sem me cansar. Quando nenhum outro rosto me fizer estremecer e, por ele, tiver vontade de avançar. Quando não houver sorriso que me apaixone, olhar que me prenda ou voz que me acelere o coração. Quando nenhuma boca mais chamar o meu nome. 

Se estremecer, se me apetecer avançar, se me apaixonar por um sorriso, por um olhar, por uma voz, se houver boca que me chame e rosto que não consiga esquecer, se isto de facto acontecer, então é porque não existe sentido no passo e é preciso viver para perceber o significado do resto. Há quem opte por entregar-se para sempre (e em certos casos se arrependa) e há quem prefira, primeiro, sentir o suficiente. Mas nem sempre o suficiente decorre no período que traçámos de início. Às vezes, é preciso retomá-lo, acrescentando-lhe dias, meses, talvez anos. Na verdade, tratam-se apenas de escolhas. E, para mim, a importância não está tanto nelas, mas no tempo que levamos a compreender o quanto estamos errados.             

 

 

publicado por Inês Alves às 19:56
25 de Março de 2009

"Marley e eu" foi, sem dúvida, um dos melhores filmes que vi até hoje. Não por quaisquer aspectos técnicos, mas sim pela história. Uma história de ternura e amor cuja simplicidade me apaixonou. E acredito que apaixone qualquer um.

Ver este filme fez-me pensar na minha cadela e no quanto ela é importante para mim e para todos nós, cá em casa.

Recordei as vezes que, tal como o Marley, me recebe, eufórica, sempre que chego a casa. Pula de alegria, lambe-me até não poder mais e vai, sempre, buscar a almofada do sofá da sala. Depois, corre desenfreada com uma alegria como se não houvesse amanhã. Faz o mesmo sempre que me levanto. Quando não é ela que me acorda com um beijo languido, assim que vê a minha porta abrir-se corre feita louca e vai chamar a minha mãe. Acho que tenta dizer-lhe algo como "a dona já está levantada!". E vejo-lhe a felicidade naquele rosto canino de uma fila que todos dizem ser um terror (e é-o, no fundo) mas que, para mim, é uma ternura, uma fiel companheira de caminhadas, de passeios pela praia e, até, de belas sonecas. Sim, porque desde pequena que dorme comigo. E como é engraçado... sempre se deitou à mesma hora (por volta das 22h). Primeiro, deita-se no sofá (tem uma cama dela, mas é fina, não gosta). Depois, chega àquela hora e tenta chamar-nos (a mim ou à minha mãe). Se ninguém lhe liga vai para o quarto sozinha. Enrosca-se na minha cama e quando chego lá está ela a ocupá-la praticamente toda. Empurro-a e deito-me. Às vezes, chateia-me - principalmente quando estava com o Pedro e ela embirrava que tinha de deitar-se no meio de nós ou, melhor, em cima de nós (imagine-se, um "monstro" daqueles!) - mas normalmente gosto de tê-la ali ao pé de mim. Melhor: adoro. Adoro quando me rouba a pantufa e foge pela casa para que vá atrás dela buscá-la. Adoro, mesmo que no momento me irrite, que me esconda a lingirie (ou as meias) quando estou atrasada para sair. Adoro vê-la correr de felicidade quando chegamos ao Algarve. Quando sente o cheiro e vê a praia e percebe que vai poder dar mergulhos no mar, como sempre gostou, desde pequena. Adoro quando saio de casa e lhe digo "A dona vem já, porta-te bem" e ela estica as orelhas, arregala os olhos e, com a cabeça de lado, faz uma expressão de quem está a perceber a mensagem. Adora-a por tudo isto e tenho medo do dia em que tenha de me desabituar de todas estas rotinas que se foram criando. Tenho medo de não ter de ir passeá-la de manhã, na marginal, não ter de lhe dar o lanche que ela tanto adora (meia banana e um iogurte natural) e não poder levá-la comigo para onde me apetecer, sempre que não quiser estar sozinha e sempre que precisar segredar-lhe algo ao ouvido. Tenho medo do dia em que ela já não esteja presente porque, para além de adorá-la, aprendi com ela uma grande lição: a felicidade está nas coisas mais simples da vida.

 

 

publicado por Inês Alves às 14:24
24 de Março de 2009

Em a "Viagem do Elefante", o último livro de José Saramago, vem escrito: "Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam". Será verdade? Será que, em certo lugar, existe alguém à nossa espera, independentemente das voltas que possamos dar para lá chegar e do tempo que demoremos a fazê-lo? A ser verdade, acreditar nisso implicaria também acreditar que, por mais que tentemos enganar o destino, ele já está escrito e, portanto, é impossível mudá-lo. Que sensação de inutilidade me percorre agora as veias... Por que não posso eu controlar onde vou, com quem vou e porque vou? Talvez detenhamos connosco parte dessa escolha, mas é provável que não a possuamos por completo. E é tão estranho saber disso. Mas, pensemos bem, se assim não fosse, seria então a vida feita somente de acasos e coincidências sem verdadeiro significado? Dúvido. Sou daquelas pessoas que não acredita no acaso e que vê um sentido em (quase) tudo, por muito negativo que possa ser (nem sempre tem de ser bom). E dúvido duplamente quando, analisando a minha vida, percebo que sempre vou parar ao local de onde penso ter-me afastado. Melhor: de onde quis afastar-me. E se quis, por que não consegui fazê-lo? Querer é meio caminho andado para conseguir, sempre pensei. Mas... por que é que, irremediavelmente, retorno sempre ao ponto de onde parti e à história que, um dia, em consciência ou não, por desleixo ou aparente desinteresse, recusei? 

Oiço falar em tantos rostos que se encontram após anos de desencontro (lembro-me de dois casos contados pela minha irmã e que passaram na TV) e penso que terá de haver um significado, uma justificação para que assim seja. A vida está, provavelmente e com frequência, a enviar-nos mensagens que, no fim, acabamos por ouvir e reconhecer como nossas. Mas se não somos nós quem comanda o que connosco acontece, em quem devemos confiar o nosso futuro? Será melhor largá-lo ao acaso? E se o acaso não existe, quem, que coisa é essa que detém o poder do que vivemos? A ela, a ele, ao que for, quero perguntar-lhe, agora, neste preciso momento em que me divido em partes imprecisas: que rosto é esse que me espera e onde posso encontrá-lo?       

publicado por Inês Alves às 15:31
Dezembro 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
24
25
26
28
29
30
31
subscrever feeds
Posts mais comentados
pesquisar neste blog
 
blogs SAPO