24 de Março de 2009

Em a "Viagem do Elefante", o último livro de José Saramago, vem escrito: "Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam". Será verdade? Será que, em certo lugar, existe alguém à nossa espera, independentemente das voltas que possamos dar para lá chegar e do tempo que demoremos a fazê-lo? A ser verdade, acreditar nisso implicaria também acreditar que, por mais que tentemos enganar o destino, ele já está escrito e, portanto, é impossível mudá-lo. Que sensação de inutilidade me percorre agora as veias... Por que não posso eu controlar onde vou, com quem vou e porque vou? Talvez detenhamos connosco parte dessa escolha, mas é provável que não a possuamos por completo. E é tão estranho saber disso. Mas, pensemos bem, se assim não fosse, seria então a vida feita somente de acasos e coincidências sem verdadeiro significado? Dúvido. Sou daquelas pessoas que não acredita no acaso e que vê um sentido em (quase) tudo, por muito negativo que possa ser (nem sempre tem de ser bom). E dúvido duplamente quando, analisando a minha vida, percebo que sempre vou parar ao local de onde penso ter-me afastado. Melhor: de onde quis afastar-me. E se quis, por que não consegui fazê-lo? Querer é meio caminho andado para conseguir, sempre pensei. Mas... por que é que, irremediavelmente, retorno sempre ao ponto de onde parti e à história que, um dia, em consciência ou não, por desleixo ou aparente desinteresse, recusei? 

Oiço falar em tantos rostos que se encontram após anos de desencontro (lembro-me de dois casos contados pela minha irmã e que passaram na TV) e penso que terá de haver um significado, uma justificação para que assim seja. A vida está, provavelmente e com frequência, a enviar-nos mensagens que, no fim, acabamos por ouvir e reconhecer como nossas. Mas se não somos nós quem comanda o que connosco acontece, em quem devemos confiar o nosso futuro? Será melhor largá-lo ao acaso? E se o acaso não existe, quem, que coisa é essa que detém o poder do que vivemos? A ela, a ele, ao que for, quero perguntar-lhe, agora, neste preciso momento em que me divido em partes imprecisas: que rosto é esse que me espera e onde posso encontrá-lo?       

publicado por Inês Alves às 15:31
Vim parar aqui por acaso, mas achei um bom comentário à frase d'Ele. Acho que o problema de tudo isto é realmente haver alguém que nos espera em alguma parte. Caso nos esperem, aí chegaremos muito provavelmente. Se ninguém nos espera em tal parte, seguramente a "corrente" não nos puxará até ele, mas para outro lado qualquer. É como se as pessoas que sentem saudades nossas fossem uma força!

Um beijo.

João
João a 8 de Outubro de 2011 às 18:21
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