20 de Novembro de 2009

Foi a primeira vez que entrei na União Zoófila. Conhecia pelo nome, sabia da existência precária e da dependência monetária da solidariedade humana porque neste país o Estado não vê vantagens, nem concebe a importância, de apoiar instituições que zelem pelos direitos dos animais (e digo isto com muita, mas mesmo muita indignação, entenda-se!). Lá, todos (ou quase todos) têm um nome. Têm comida, as instalações não são as melhores (diria mesmo que sensibiliza e faz chorar qualquer pessoa que goste e se enterneça com um animal, como me aconteceu a mim), mas têm alguém que lhes dê atenção. Alguém que os chame, que lhes faça uma festa, que os cubra com uma manta quando sentem frio. E o frio deve ser muito. Sobretudo o que sentem na alma. O gélido sopro do vazio deixado por aqueles que os magoaram (porque há muitos que tremem de medo quando nos aproximamos e isso - repugna-me só de pensar como é possível - só pode revelar maus tratos), ou daqueles que deles se quiseram desfazer, largando-os à sua sorte num mundo ainda mais violento para eles, seres indefesos. Sei que sentem porque todos me olharam de forma carente, envolvendo-me num círculo a que tentei dar resposta desdobrando-me em carinhos. Queria dar-lhes aqueles que deviam ter tido, por direito, mas receio não ter conseguido chegar a todos. Disse-lhes baixinho que tudo ficaria bem, embora não acreditasse porque simplesmente desacredito cada vez mais no meu país e me afasto cada vez da sua conduta injusta e menosprezante. Mas quero acreditar que aqueles que hoje vivem o mesmo tempo que eu farão alguma coisa para que daqui para a frente seja diferente. Quero acreditar que no futuro deixarei de ver animais ao abandono e que, como acontece nos países europeus verdadeiramente civilizados (como é o caso de Londres, por exemplo), eles poderão sentar-se no café ao lado dos donos e passarão também a caminhar com eles pelos parques ou a acompanhá-los nos transportes públicos. Porque os animais têm direito a existir e a sua existência por si só dita que os seus direitos sejam, obrigatoriamente, reconhecidos e legislados. Acredito no futuro, mas como sei que o futuro se constrói a partir de hoje, quero deixar um apelo: tornem-se sócios da União Zoófila pagando apenas (e repito: apenas) 25 euros por ano. Basta que para isso vão ao site www.uniaozoofila.org e no menu principal cliquem em "como ajudar". Aí terão apenas de preencher um formulário e pagar a quota por multibanco, enviando-os depois para a União Zoófila. Este simples gesto (não demora mais de 5 minutos, garanto-vos porque já o fiz) poderá salvar muitas vidas. Pensem nisso. 25 euros é, talvez, o preço de uma qualquer camisola, mas quantas não temos no nosso armário que não foram já parar ao balde do lixo por terem passado de moda? Normalmente gastamos sem pensar se o investimento é, de facto, proveitoso. Invistamos então em qualquer coisa que faça realmente a diferença. Esta é, sem dúvida, uma delas.           

publicado por Inês Alves às 19:54
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