11 de Novembro de 2009

Às vezes, cansam-me as tuas insistências, a falta de ar que me causas quando também eu preciso dos meus momentos: sozinha, com ou sem música em meu redor, ao sabor do vento, da lua ou do sol. Preciso de ouvir o silêncio e de contar os tempos do tempo. Sozinha. Sem te ter a meu lado. 

Muitas vezes, irrita-me a tua persistência disfarçada de incompreensão. Nunca compreendes nada, principalmente quando não te é favorável compreenderes. Irrita-me mais ainda quando queres que justifique aquilo que eu própria desconheço. Há momentos de solidão, sabes? E se não há, é preciso que os haja. Há momentos de introspecção e, por isso, de menos diálogo. Momentos de angústia ou de simples cansaço. Momentos nossos e só nossos. Há dias assim. Há vontades como esta. Há coisas que não se partilham, apenas se oferecem. E se não te ofereço não deves pedir-me. É inoportuno. Mais: é desrespeitoso.

Às vezes, quase sempre, irrita-me que me irrites e me pressiones. Não gosto que me obriguem. Ninguém deve fazê-lo a ninguém. Dessa forma se bloqueia a criatividade que reside na liberdade de fazer sozinho. Muitas vezes, opto pela solidão invés de ti. Então, roubas-me o ar para que não respire, como se o oxigénio fosse suficientemente sólido para ser guardado em pedaços no saco  das inevitabilidades. Quase sempre, as tuas. Mas tenho pena que o faças e medo que, por isso, um dia deixe de conseguir recuperar o folêgo ao teu lado.

publicado por Inês Alves às 13:36
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