27 de Dezembro de 2009

Porque tenho curiosidade em ler signos e conhecer as características que definem cada um deles, aqui fica um registo do meu e das que me dizem respeito, que na verdade representam, exceptuando pequenos pormenores, uma amostra fidedigna da minha personalidade. Comprove quem me conhece...

 

 

Normalmente pensamos que a mulher virgem é aquela donzela vestida de branco, pura e muito frágil. Mas esta ideia não corresponde minimamente à verdade. Segundo o horóscopo que nos define, a mulher de virgem pode largar tudo, inclusive o companheiro, para seguir uma nova paixão sem dar a mínima importância aos comentários ou julgamentos.

 

Quando se trata de ir em busca da felicidade, ela é uma mulher muito determinada. Uma vez que aceitou um amor como verdadeiro este amor estará acima de tudo. Ela é a única mulher capaz de ser terrivelmente prática e divinamente romântica.

Apesar de ser uma mulher determinada, não é do tipo que se atira de cabeça sem perder um bom tempo a analisar o que deve ser feito. Também não é uma mulher que gosta de chamar a atenção como a leonina, ou que gosta de aventuras e mudanças bruscas. Pelo contrário, para ela tudo deve ter uma certa lógica e um motivo. [exceptuando a parte de não gostamos de aventuras, tudo parece estar efectivamente certo...]

 

Não esperem vê-la lutar por uma causa, fazer discursos ou escalar montanhas com o seu namorado apenas para estar ao seu lado. Ela é uma mulher que gosta do sossego e não é muito afeita a aglomerações. Normalmente costuma ter um gosto afinado para as artes e forma de vestir. Ela parece ter nascido com um gosto aprimorado para as roupas; pouco afeito a extravagâncias. É sobretudo muito eloquente e sóbria. Estará sempre bonita e elegante.

 

No trabalho, é persistente e prática, e descobrirá os pequenos erros que até um perito deixaria passar. Quando se entrega a uma tarefa o resultado será sempre o melhor. Se se envolver com esta mulher, ela vai-se encarregar de todas as suas preocupações e provavelmente terá prazer nisto. É a mulher perfeita para se discutir orçamentos ou planos para o futuro. O que pode parecer um tédio para outras mulheres, para ela será sempre um prazer. A mulher virgem gosta de debatar assuntos, de discutir de forma saudável.

 

A preocupação é algo natural para ela. Simplesmente não consegue relaxar completamente. Mas não esperem vê-la com uma fisionomia carregada ou carrancuda. Normalmente tem uma aparência serena e sempre o mesmo sorriso discreto e olhar tranquilo. Mas mesmo possuindo este auto-controlo e este comportamento sereno, ela costuma ser devorada por ansiedades que nem o mais íntimo dos seus amigos conhece.

 

Apesar de ser uma perfeccionista, não quer dizer que seja perfeita. Ela tem os seus defeitos e estes podem ser muito irritantes. Acha sempre que ninguém consegue fazer as coisas com tanta ordem e eficiência quanto ela. E a verdade é que muitas vezes tem razão.

 

A virginiana detesta quando é criticada abertamente. Se ela errar, digam-lhe com muito tato para não perderem a sua amizade. Quando se trata de admitir que está errada, esta mulher parece sofrer um bloqueio mental. Tem mais facilidade em criticar os defeitos dos outros do que em aceitar os seus próprios. Não que se ache perfeita. A virginiana é sempre muito crítica em relação à sua aparência, trabalho, alimentação e amor. Para ela não existe meio termo: ou consegue o melhor ou tem apenas o pior.

 

Também não esperem vê-la sonhar ou ter ilusões sobre as pessoas mesmo quando está apaixonada. Ela é muito “pé no chão” e muito prática para se deixar levar por sonhos. Nem a taurina consegue ser tão prática quanto ela. Nem mesmo o amor consegue cobrir os seus olhos e impedir que ela veja os defeitos e falhas do companheiro, durante o relacionamento.

 

Demonstrações dramáticas de amor, promessas sentimentais e exagero, não só deixarão a mulher virgem entediada, como podem assustá-la a ponto de nunca mais aparecer. Mas o seu coração pode amolecer se for conquistada aos poucos. Existem muitas formas de se conquistar esta mulher e manter a sua paixão. A agressividade, no entanto, não é uma delas.

A virginiana busca mais a harmonia e a tranquilidade num relacionamento do que paixões loucas e amores impossíveis.

 

Também não é muito comum vê-la chorar por um amor do passado ou entregar-se a um amor platónico. Para ela o que importa é o que está ao seu alcance e o que acabou tem que ser enterrado para que outro homem ocupe o lugar vago. Mesmo que uma decepção amorosa tenha causado muita dor no seu coração, ela consegue disciplinar os seus sentimentos e emoções a ponto de parecer que o rompimento lhe é indiferente. Ela vai sofrer por dentro, mas este sofrimento não vai durar muito. Ela dificilmente vai-se deixar levar pela ilusão de que colando os pedaços conseguirá refazer o que não tem mais conserto.

 

A mulher virgem dedica-se totalmente àqueles em quem confia e as pequeninas coisas podem significar muito para ela.

 

Apesar de sua timidez e tranquilidade, é bastante firme e forte para que os outros encontrem nela um porto seguro. A sua coragem e senso de responsabilidade costumam servir de conforto para as pessoas que ama, sobretudo quando as coisas não estão bem.

 

 

E agora tirem as vossas ilações...

publicado por Inês Alves às 12:24
23 de Dezembro de 2009

Ser filho de pais separados não é fácil e engane-se quem pensa que somente deixa marcas aos mais novos. É certo que em criança - e porque a nossa ingenuidade é, nessa altura, tão bela - é-nos impossível criar mecanismos de defesa, pelo menos os que criamos - porque é verdade que o fazemos - em adultos. No entanto, se por um lado sentimos dor, por outro, o facto de não compreendermos ou até de ignorarmos a totalidade dos motivos, serve-nos de auxílio: conseguimos, ainda assim e dentro daquilo que é possível, crescer saudáveis. Sabemos que existe um pai e uma mãe e que apenas recebemos o amor  repartido (embora desconheçamos o resto), facto que, ironicamente, pode significar também recebê-lo a duplicar de cada vez que estamos com um ou com outro. Quando somos adultos, tudo muda. Conseguimos medir actos e pesar consequências. Conhecemos a verdade, ou parte dela, e sabemos onde reside a razão, ou, pelo menos, aquilo em que acreditamos como sendo certo. Por este motivo tudo se torna mais moroso, mais pesado e difícil. Julgo que a dor é menor, embora faça ferida na mesma, e todos os sentimentos que prendemos em nós -  não queremos expeli-los por recear que sejam vistos (como se alguma vez pudessem ganhar forma) - se vão acumulando em nosso redor, construindo, devagar e sem que tenhamos consciência disso, um véu que, no futuro, acabará por assombrar-nos. Provavelmente não seremos capazes de percebê-lo senão no convívio e no diálogo com os outros. Por vezes, é possível que aconteça, talvez o sintamos perto num momento de reflexão ou angústia. Mas é quando entendermos e aceitarmos que a exaltação da liberdade, que por vezes se mistura com uma solidão inexplicável, reflecte não mais do que o receio de falhar, tal qual falharam aqueles cujo exemplo conhecemos, que seremos finalmente capazes de lhe encontrar a ponta e começar a desfazê-lo, fio a fio, sentimento a sentimento, mágoa a mágoa. É quando confiarmos que a entrega pode existir e nos entregarmos de verdade, sem recear a ferida que já abrimos antes e o acto de mostrarmos quem realmente somos, evitando exaltar qualidades para desfarçar fraquezas, que o véu se terá transformado num novelo branco, que agora vemos e somos capazes de sentir, mas não mais em torno de nós próprios.  Aí sim seremos verdadeiramente livres e o amor não será mais medo dissimulado de rebeldia ou individualismo. Provavelmente terá o sabor doce de um chocolate quente, tomado a um domingo no sofá de nossa casa. Ou da dele/a. Certamente terá o toque da caxemira, ou o cheiro da terra molhada. O tacto do suor - e apetece-me citar "enrolados pelo chão num abraço que se viu" - e o som de um pássaro que voa livre, lá no céu, e que observamos duma planície no alentejo. Ou do vento, que sopra por entre as rochas de uma praia. A minha, porque não.    

O meu novelo está já a meio. Vejo-o, sem o ver, caído ao lado do meu corpo e anseio libertar-me totalmente dele. Quero poder dizer o que sinto sem recear que me vejam núa. Porque... tenho a certeza que seríamos bem mais felizes se na maior parte das vezes perdessemos a vergonha ou o orgulho e dissessemos exactamente o que pensamos ou sentimos.  

 

publicado por Inês Alves às 20:55
20 de Novembro de 2009

Foi a primeira vez que entrei na União Zoófila. Conhecia pelo nome, sabia da existência precária e da dependência monetária da solidariedade humana porque neste país o Estado não vê vantagens, nem concebe a importância, de apoiar instituições que zelem pelos direitos dos animais (e digo isto com muita, mas mesmo muita indignação, entenda-se!). Lá, todos (ou quase todos) têm um nome. Têm comida, as instalações não são as melhores (diria mesmo que sensibiliza e faz chorar qualquer pessoa que goste e se enterneça com um animal, como me aconteceu a mim), mas têm alguém que lhes dê atenção. Alguém que os chame, que lhes faça uma festa, que os cubra com uma manta quando sentem frio. E o frio deve ser muito. Sobretudo o que sentem na alma. O gélido sopro do vazio deixado por aqueles que os magoaram (porque há muitos que tremem de medo quando nos aproximamos e isso - repugna-me só de pensar como é possível - só pode revelar maus tratos), ou daqueles que deles se quiseram desfazer, largando-os à sua sorte num mundo ainda mais violento para eles, seres indefesos. Sei que sentem porque todos me olharam de forma carente, envolvendo-me num círculo a que tentei dar resposta desdobrando-me em carinhos. Queria dar-lhes aqueles que deviam ter tido, por direito, mas receio não ter conseguido chegar a todos. Disse-lhes baixinho que tudo ficaria bem, embora não acreditasse porque simplesmente desacredito cada vez mais no meu país e me afasto cada vez da sua conduta injusta e menosprezante. Mas quero acreditar que aqueles que hoje vivem o mesmo tempo que eu farão alguma coisa para que daqui para a frente seja diferente. Quero acreditar que no futuro deixarei de ver animais ao abandono e que, como acontece nos países europeus verdadeiramente civilizados (como é o caso de Londres, por exemplo), eles poderão sentar-se no café ao lado dos donos e passarão também a caminhar com eles pelos parques ou a acompanhá-los nos transportes públicos. Porque os animais têm direito a existir e a sua existência por si só dita que os seus direitos sejam, obrigatoriamente, reconhecidos e legislados. Acredito no futuro, mas como sei que o futuro se constrói a partir de hoje, quero deixar um apelo: tornem-se sócios da União Zoófila pagando apenas (e repito: apenas) 25 euros por ano. Basta que para isso vão ao site www.uniaozoofila.org e no menu principal cliquem em "como ajudar". Aí terão apenas de preencher um formulário e pagar a quota por multibanco, enviando-os depois para a União Zoófila. Este simples gesto (não demora mais de 5 minutos, garanto-vos porque já o fiz) poderá salvar muitas vidas. Pensem nisso. 25 euros é, talvez, o preço de uma qualquer camisola, mas quantas não temos no nosso armário que não foram já parar ao balde do lixo por terem passado de moda? Normalmente gastamos sem pensar se o investimento é, de facto, proveitoso. Invistamos então em qualquer coisa que faça realmente a diferença. Esta é, sem dúvida, uma delas.           

publicado por Inês Alves às 19:54
11 de Novembro de 2009

Às vezes, cansam-me as tuas insistências, a falta de ar que me causas quando também eu preciso dos meus momentos: sozinha, com ou sem música em meu redor, ao sabor do vento, da lua ou do sol. Preciso de ouvir o silêncio e de contar os tempos do tempo. Sozinha. Sem te ter a meu lado. 

Muitas vezes, irrita-me a tua persistência disfarçada de incompreensão. Nunca compreendes nada, principalmente quando não te é favorável compreenderes. Irrita-me mais ainda quando queres que justifique aquilo que eu própria desconheço. Há momentos de solidão, sabes? E se não há, é preciso que os haja. Há momentos de introspecção e, por isso, de menos diálogo. Momentos de angústia ou de simples cansaço. Momentos nossos e só nossos. Há dias assim. Há vontades como esta. Há coisas que não se partilham, apenas se oferecem. E se não te ofereço não deves pedir-me. É inoportuno. Mais: é desrespeitoso.

Às vezes, quase sempre, irrita-me que me irrites e me pressiones. Não gosto que me obriguem. Ninguém deve fazê-lo a ninguém. Dessa forma se bloqueia a criatividade que reside na liberdade de fazer sozinho. Muitas vezes, opto pela solidão invés de ti. Então, roubas-me o ar para que não respire, como se o oxigénio fosse suficientemente sólido para ser guardado em pedaços no saco  das inevitabilidades. Quase sempre, as tuas. Mas tenho pena que o faças e medo que, por isso, um dia deixe de conseguir recuperar o folêgo ao teu lado.

publicado por Inês Alves às 13:36
28 de Outubro de 2009

Passados quase 48 anos de luta na guerra do Ultramar, e depois de conquistada a independência em 1974, ano a que se sucederam mais 18 de guerra civil (tendo esta terminado apenas com a assinatura do Acordo Geral da Paz pelas frentes guerrilheiras, em 1992), Moçambique vive, novamente, um período de eleições. Numa altura em que o futuro do país volta a ser decidido - crendo que, desta vez, seja efectivamente para melhor (afinal, África representa, para nós, um segundo Brasil e é, globalmente, uma potência em desenvolvimento) -, vale a pena relembrar a África das colónias pela voz de alguém cujo nome é fictício mas a história real. Ou se quisermos, verídica.

 

 

Miguel nasceu a 28 de Dezembro de 1958 em Moçambique. Filho de pai português, inspector da PJ na altura, e de mãe também portuguesa mas com raízes suíças, passou a infância e adolescência em África. Vivendo no seio de uma família desafogada, cuja permanência nas colónias se devia essencialmente à profissão do pai, cresceu sem conhecer ao certo a situação de Portugal e dos portugueses no continente. Do Estado Novo, recorda muito pouco. Os anos da ditadura passou-os fora do continente e, embora regressando para férias de quatro em quatro anos (o pai acumulava-as, sendo que depois se estabeleciam em Portugal por períodos mais longos), era demasiado pequeno para poder compreender o que se passava em Portugal. Hoje, a esta distância, é capaz de analisar tudo com outra maturidade. A que lhe faltava na altura por ser ainda criança.

A propósito das férias passadas em Portugal, Miguel recorda um desses períodos, o qual se prolongou por um ano e foi, aliás, o mais longo de permanência no continente. Para um menino habituado a uma África mais aberta, menos preconceituosa e, sobretudo - embora não sendo, era-o ainda assim - mais livre, Miguel ficou surpreso com a atitude fechada e deprimida de muitos dos seus colegas de escola. Hoje, entende que isso era uma consequência óbvia da educação conservadora e do estado deplurável em que vivia a maioria da população portuguesa. Na altura, estávamos então em 1967 e Miguel estudava no continente para concluir a terceira classe, lembra-se apenas de não compreender porque todos os meninos se preocupavam em comer quando ele queria apenas brincar. Por esse mesmo motivo, conta, tantas vezes não se importou de trocar o seu almoço (consideravelmente mais farto) com o dos seus colegas. Afinal, como disse, importavam-lhe as brincadeiras (subentenda-se: mais do que a comida). Aos outros - e convém salientar que se tratavam de crianças - não. Assim era o Portugal de Salazar. 

Para Miguel, África marcou-o profundamente e por isso fala nela com um brilho nos olhos. Recorda o clima, o cheiro, o ambiente, as pessoas. Tem saudades disso. O Portugal que conhece actualmente diz ser idêntico à África de outrora, nomeadamente no que respeita ao relacionamento entre as pessoas. Isso foi o que mais lhe custou na sua adaptação ao continente aquando do seu regresso. Proveniente de uma terra onde homens e mulheres lidavam abertamente entre si, combinando piqueniques, idas aos cafés e às praias, entre outras diversões de amigos, quando chegou a Portugal, e apesar do seu regresso ter-se dado pós 25 de Abril, Miguel foi obrigado a conter-se. Um simples «olá» a uma desconhecida, que habitualmente dizia em África, foi algo que deixou de poder fazer no continente: "Lá a relação entre as pessoas era diferente. Conversava-se muito. Se não conhecias alguém, passavas a conhecer. As pessoas eram mais acolhedoras e aceitavam-se melhor" , conta. Em Portugal, a opressão havia acabado mas as pessoas permaneciam ainda muito ligadas aos costumes enraízados pela política de Salazar. Eram livres, mas demasiado contidas ainda, demasiado fechadas sobre si próprias. 

No decorrer da sua estadia em África, Miguel foi essencialmente um jovem estudante e é precisamente sob essa perspectiva que devemos entender o seu testemunho. Antes da independência de África (1974), os seus dias eram passados na escola, em casa e na rua, com os amigos. Há medida que foi crescendo também a sua liberdade foi aumentando. O futebol, jogado na rua com os amigos, foi sendo substituído por longas travessias de mota até às praias mais distantes. E se há quem pense que o faziam somente rapazes, engana-se. Também as raparigas participavam nestas actividades. Miguel recorda, com um sorriso nos lábios: "Algumas das minhas amigas nem sequer usavam a parte de cima do biquini... e isso era natural..." . 

Miguel sentiu-se sempre respeitado pelos seus amigos de África. Quando questionado sobre a relação entre portugueses e africanos, afirma que antes da independência das colónias a relação era geralmente pacífica. É certo que, a este nível, as opiniões não são unânimes. Nem nunca foram. Havia quem defendesse os portugueses e havia quem estivesse contra eles e os odiasse. No entanto, e de um modo geral, Miguel considera que os portugueses eram respeitados e que os africanos sabiam separar as águas: normalmente só reagiam a quem os ameaçasse ou tratasse efectivamente mal (era o caso dos colonos e das tropas portuguesas). Como jovem moçambicano que era, embora nacionalizado português por opção do pai, sentiu-se sempre em casa e as verdadeiras ameaças só começaram a surgir pouco depois da independência. Mesmo a guerra do Ultramar (1961-1974), que se prolongou até à sua adolescência, não constituiu para si uma ameaça concreta, já que os conflitos entre as tropas e os guerrilheiros ocorreram sobretudo no mato. Recorda os momentos em que, dada a intensificação dos grupos de guerrilha africanos, muitos dos seus amigos e colegas de escola foram obrigados a alistar-se nas tropas portuguesas ou, em alternativa e por iniciativa própria, em juntar-se aos guerrilheiros. Portugal visava então defender aquele que era considerado território nacional para a manutenção da unidade de que Salazar se orgulhava. Por ser ainda menor (tinha apenas dezasseis anos), Miguel não teve de se alistar na tropa. Refere que se apercebeu da existência da guerra quando o número de funerais foi aumentando, quando muitos dos seus amigos foram desaparecendo e quando a presença das tropas portuguesas nas cidades foi sendo também mais assídua (tentava-se então controlar os grupos de guerrilha que tomavam de assalto as cidades e largavam bombas de fraca potência em locais estratégicos). Como consequência da guerra, e talvez tenha sido essa a verdadeira marca deixada pela mesma, Miguel e os amigos, enquanto jovens que eram, passaram a olhar a vida de uma outra perspectiva. Sabiam que, mais tarde ou mais cedo, o seu destino se cruzaria com a ida obrigatória para uma guerra com a qual não concordavam. E como a hipótese de não voltar se impunha, passaram a viver no limite, como se não houvesse amanhã. "Apesar de tudo foram bons tempos", recorda.

Há medida que as tropas portuguesas foram esgotando efectivos, sem quaisquer possibilidades de reforço, as frentes de combate africanas foram ganhando terreno e expandindo-se pelo continente. A guerra chegava ao fim e Miguel desconhecia que, por detrás da derrota portuguesa, outros interesses se escondiam. Na altura, não sabia distinguir entre capitalismo e socialismo, nem tão pouco conhecia o termo guerra fria, apenas mais tarde designado como tal. Hoje, compreende que a disputa pelo poder é capaz de levar o Homem a cometer uma das maiores barbaridades: matar a sua própria espécie. 

Para Miguel, bem como para a maioria dos portugueses residentes em África, a independência, decorrente da nova situação política de Portugal proporcionada pelo golpe de Estado de 1974, constituiu, ela sim, uma mudança abrupta na forma de vida em África. A descolonização obrigava à retirada portuguesa e a existência de diferentes ideologias nos vários movimentos de libertação africanos arruinava a serenidade do processo e agravava a situação interna. Iniciava-se então a guerra civil. 

Muitos portugueses, como foi o caso de Miguel e da sua família, não puderam regressar de imediato e praticamente todos foram deixados ao abandono pelo governo português. Largados à sua sorte, tiveram de lutar pela sua sobrevivência num ambiente cada vez mais hostil para a população branca. E não só. Como conta Miguel, bastava que alguém, preto ou branco, não interessava a cor da pele, denunciasse um outro como sendo membro de um movimento oposto, que o acusado era morto. Miguel refere: "Naquela altura, uma mentira valia mais que mil verdades". 

Situações como esta passaram a ser correntes, bem como tantas outras que, na nossa conversa informal, Miguel acabou por revelar. Contou ter assistido, nas ruas de Lourenço Marques, actual Maputo, à morte de um indiano por um agente da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique). Ele próprio foi preso, por diversas vezes, enquanto passeava na rua. Destas detenções, recorda um pormenor engraçado: "Um amigo meu, africano, que tinha sido obrigado a alistar-se nas tropas portuguesas e que passado algum tempo do seu desaparecimento foi dado como morto, tendo-se realizado o seu funeral, foi aquele que, de todas as vezes que fui preso pela FRELIMO, me libertou. Na verdade, ele não estava nada morto, tinha sim fugido e alistara-se na FRELIMO porque acreditava na libertação de África. Um dia, eu e os restantes [entenda-se: amigos], voltámos a encontrá-lo no café onde habitualmente nos juntávamos e ficámos surpresos por ainda estar vivo". 

Neste ambiente, Miguel teve de viver durante cerca de três anos. Mas se se pensa que foram anos penosos, não foram de todo. Não para ele, pelo menos. Exceptuando o facto de ter perdido o pai, que faleceu de morte natural poucos meses após a independência, Miguel viveu três anos de muito divertimento. Dedicou-se a um desporto que poderia ter mudado a sua vida. Não mudou. A dada altura o regresso a Portugal foi inevitável. 

Aquando da morte do pai, foi o irmão mais velho que ficou como seu tutor e, uma vez que este assinara um contrato de trabalho cujo termo dar-se-ia em 1978 (lembro que estávamos então em 1974/75), Miguel e a família foram obrigados a ficar. Como não podia estudar nem trabalhar, já que não possuía nacionalidade moçambicana e a escola portuguesa tinha acabado em África (Samora Machel, o primeiro Presidente da República de Moçambique, proclamara o seu fim), Miguel dedicou-se ao motocross, tendo-se consagrado campeão provincial em 1977. Foram três anos de "boa vida", como gosta de dizer e, acrescento, de um sucesso incrível que, infelizmente, as circunstâncias da vida não permitiram que continuasse. "O motocross era um passatempo", afirma. E foi nessa condição que Miguel começou de facto. As motas, nomeadamente as japonesas, eram baratas e de fácil acesso em África. Para um jovem sem qualquer ocupação, apetrechar a mota com peças novas era uma forma de entretenimento. "Tudo começou com uma brincadeira. Arranjámos [ele e os amigos] uma mota e ficou decidido que, por ser o mais leve, seria eu a participar numa das corridas que habitualmente se realizavam em África. Foi em Maputo. Fiquei em oitavo lugar", conta. A partir daí, Miguel tomou-lhe o gosto. Treinava cerca de três vezes por semana no areal das praias. Aos amigos cabia o papel de o auxiliar na manutenção da mota antes e durante as competições, sendo que inicialmente os materiais eram comprados com dinheiro próprio. Quando a participação nas corridas se tornou mais séria e frequente, a sua experiência alargou-se às motas de pista. Foi então que passou a ser patrocinado. Pela SANYO, no motocross, e pela SACHS, nas competições de pista. Chegou a campeão nacional nas corridas de pista no ano de 1978. Precisamente aquele em que teve de regressar a Portugal.

Tendo o contrato de trabalho do irmão de Miguel terminado, e uma vez que continuava sem poder estudar ou trabalhar, o regresso a Portugal era a alternativa mais viável, uma vez que também as condições de vida em África não tinham melhorado (o clima de apaziguamento que a política de Samora Machel visara introduzir não fora suficiente). Assim, a Fevereiro de 1978, Miguel e a família abandonam África. O sonho de uma possível carreira no motocross ficava então adiado.

A adaptação a Portugal foi algo que Miguel classificou de "necessariamente rápida". A perda do pai havia-o feito crescer e ele tinha consciência de que era preciso "ir à luta". Decidiu então completar o 12ºano à noite, já casado e com dois filhos. Assim que chegou foi obrigado a alistar-se na tropa portuguesa (tinha então 20 anos). Depois de cumprido o dever militar, restava-lhe «apenas» começar de novo. Foi o que fez. Actualmente, Miguel é técnico oficinal de mecânica da CP. Do motocross resta uma coisa: a recordação. Uma doce e longínqua recordação de África. A mota, trouxe-a consigo para Portugal. Está hoje, depois de alguns treinos ocasionais no período de retorno ao continente, no terreno da família. Parada e envelhecida, mas ainda assim funcional, aguarda a visita de alguém que a decida restaurar, com o intuito de dar forma e sentido a uma história que ficou por escrever.               

 

publicado por Inês Alves às 16:38
27 de Outubro de 2009

Há certos momentos, e certas pessoas, que gostaria de poder agarrar e guardar em mim - pegá-los com a mão e cerrar o punho; impedir que se vão embora e desapareçam nas teias do tempo. Não quero perdê-los. A nenhum deles. E são tantos. Ou melhor, são alguns, mas com grande importância. Quando falo na perda, não me refiro somente à total ausência física da pessoa no mundo real, mas antes ao afastamento que o processo natural da vida nos obriga e que é absolutamente incontornável. Deste sim tenho medo. Já a morte não me assusta. Não agora, pelo menos. Ao pensar que gostaria de retê-los todos em mim, deparo-me imediatamente com a componente egoísta que tal desejo reflecte. Amar os outros, independentemente de serem família, amigos ou paixões (amores para sempre ou fugazes)  significa precisamente que sabemos respeitar a sua liberdade. E isso pressupõe que aceitemos que partam, para depois voltarem. Ou não. Amar é permitir que aqueles que amamos abram as asas e voem, mesmo que não seja em nosso redor, mesmo que, porque o tempo assim o quis e as pessoas se esqueceram de o contrariar, não regressem. E apesar de ter plena consciência disto, é-me tão difícil ainda assim pensar que poderei não tê-los daqui a uns anos. Assustam-me os dias. Não os do futuro, mas os do presente, aqueles que nos impedem de cultivar, porque normalmente impedem e porque cada vez mais acabarão por fazê-lo. De qualquer forma, permito que voem. Não tenho alternativa. Enquanto isso, mantenho-me alerta. Quero estar aqui para quando voltarem. E mesmo que não venham, pelo menos saberei que estive. A mim o tempo não me fará esquecer.       

   

publicado por Inês Alves às 14:07
25 de Outubro de 2009

Gosto de Saramago. Pela simplicidade e humildade que lhe são tão caras, mas sobretudo pela eloquência das suas palavras. Por ser directo e não menos honesto. Por dizer o que pensa sem nada (ou muito pouco) recear. Por poder, "embora não pudesse". Por ser humilde, ainda que prefiram qualificá-lo de arrogante e - imagine-se! - ignorante. Gosto de José Saramago por ser quem é e pela palavra pouco fácil mas tão sábia. De tal maneira sábia que é, propositadamente, incompreendida, muitas vezes questionada. Gosto dele porque aceito a verdade e, ainda que relativa (porque a absoluta não existe), sei que algures entre as demais subjectividades predomina um núcleo sólido que é, por isso, inquestionável. Porque todas as verdades, mesmo as aparentes, possuem um centro sobre o qual gravitam. E desse ninguém duvida, ainda que optem por não observá-lo (que é diferente de ver) ou antes pintá-lo com o negro das aparências. As mesmas que nos levam à missa ao domingo mas nos fazem esquecer de estender a mão a um mendigo que todos os dias dorme na esquina de nossa casa. Precisamente aquelas que nos fazem largar uma criança, um animal ou um idoso num qualquer canto do mundo simplesmente porque nos cansámos dele, ainda que justifiquemos tal acto com a falta de tempo ou de espaço. Gosto de Saramago porque sei que ele acredita, mas de uma forma diferente, o que não significa menos sincera. Talvez o faça à noite, como Ernest Hemingway. Citando António Lobo Antunes em entrevista a Judite de Sousa no programa "Grande Entrevista", quem sabe acredite mesmo, "às vezes, à noite", como o escritor norte-americano. Sozinho. Porque aquilo que existe não precisa dos outros para ser. É precisamente na necessidade de provar que reside o risco da mentira. Todos corremos esse risco. Há quem caia ou não nele. Saramago prefere nitidamente não cair. Limita-se a sentir e a fazer por si sem precisar do reconhecimento dos outros. Porque quem faz, fá-lo mesmo por gosto e não precisa de aprovação para isso. A verdadeira generosidade não existe em público, mas sim no anonimato da dádiva, da benção ou da bravura. Ser generoso significa dar, mas para tal é preciso que aprendamos a compreender do que o outro precisa. E é tão mais simples quando passamos a olhá-lo de igual para igual, sem que para isso seja necessário beijá-lo na missa.     

publicado por Inês Alves às 01:46
11 de Setembro de 2009

Há bem pouco tempo tomei uma decisão [pequena para alguns, relativamente importante para mim, céptica (ainda) em alguns aspectos]. Comecei a ler "Profecia Celestina", um livro supostamente espiritual. O autor: James Redfield, um conhecido sociólogo norte-americano. Muitas pessoas (umas mais próximas que outras) me tinham já falado no livro e foi o facto do professor Marcelo Rebelo de Sousa o ter aconselhado durante uma emissão do programa que divide com a jornalista Maria Flor Pedroso, na RTP1, que precipitou a minha decisão. Sim confio nas suas escolhas e sim achei que, vá-se lá saber porquê, aquele livro chamava por mim (atenção: não pretendo cair no ridículo com esta afirmação). A verdade é que estou praticamente a acabá-lo e começo a perceber que, de facto, a fé e a crença numa dimensão diferente da material pode, muitas vezes, trazer-nos respostas que a vida real não é capaz de nos dar. Porque não pode. Porque não sabe ou simplesmente porque no mundo físico não temos tempo (nem paciência) para as procurar. O livro explica-nos basicamente que o acaso não existe (não há coincidências) e que a vida é, na verdade, uma sucessão de acontecimentos que, se soubermos compreender e aproveitar, pode, de facto, levar-nos ao lugar aonde pertencemos (porque segundo o autor todos temos um desígnio, uma missão). Lógico que não passei a guiar-me única e exclusivamente por esta mensagem e muito menos passei a procurar desfazer esses acontecimentos ou a tentar conectar-me com a energia superior, que alegadamente nos permite compreender os supostos acasos e processá-los na nossa mente para delinear um caminho, mas... (e lamento ter-vos cortado por momentos a respiração) a verdade é que começo a questionar se esse destino (como, aliás, já havia falado nele noutros textos) existe ou não e, mais importante ainda, se esses acasos acontecem mesmo para nos conduzir até ele. E, curiosamente, muito recentemente aconteceu na minha vida uma situação que me fez reflectir ainda mais a sério em todas estas questões. Não sei se quererá dizer alguma coisa. Vou sabê-lo dentro de dias, mas percebi que, o universo, ou o que acharem conveniente chamar, está, de facto, a empurrar-me para o que havia deixado de acreditar e me preparava mesmo para desistir. Acho que algo ou alguém me tenta dizer que, embora não pareça, este continua a ser o caminho. Será? Que coincidência!, apetece-me dizer...          

 

 

publicado por Inês Alves às 20:09
25 de Junho de 2009

Há pouco tempo conheci o Sandro. Tinha - e continua obviamente a ter - 11 anos. Desde os 4 que soube que queria ser actor. Quando cheguei perto dele, abraçou-me, sem sequer me conhecer. Disse-me "olá" num tom de voz quase angelical. Percebi nele um miúdo envergonhado e sensível, mas ainda assim forte e decidido. Senti que tinha tudo para dar certo e que, no futuro, servirá de exemplo a muitos. Naquele instante, soube que era esse um dos desafios da sua (ainda) curta vida.

Sandro é uma das 22 crianças que habita na Associação Social e que tem como mãe, ou melhor, tia, Teresa d'Almeida, a quem, daqui, longe dos olhares críticos dos leitores, mando um abraço e elogio o trabalho. Admiro-a por permitir dar continuidade a vidas que, inevitavelmente, pelo contexto de desequilíbrio em que se inseriam, acabariam por se perder. Agradeço-lhe, como cidadã portuguesa que sou, por isso. 

Foi bom conhecer o Sandro. Aliás, corrijo: foi simplesmente fantástico. Devo dizer-te, Sandro, que no dia em que nos encontrámos estava um tanto ou quanto desanimada (às vezes, temos dias assim...) e tu fizeste-me perceber o quanto vale a pena. Admiro, muito, a tua convicção e através de ti pude reavaliar a importância dos sonhos nas nossas vidas. Demonstraste-me (não que já não o soubesse, mas permitiste que confirmasse acertadamente as minhas convicções) que é possível chegar longe e concretizar os nossos desejos sem que, para isso, seja necessário atropelar alguém. Por si só, a persistência, quando a há, e a vontade, quando muita, são suficientes. Foram no teu caso, sê-lo-ão em muitos mais, basta que consigamos encontrar a força que tu, um menino que à partida se poderia pensar frágil, encontraste e desenvolveste. No futuro, tenho a certeza que muitos, como eu, aprenderão contigo. No entanto, faço-te apenas um pedido: mantém-te sensível e genuíno, tal como és, porque é isso que  fará de ti um homem especial e sabedor, permitindo-te chegar perto das pessoas. No fundo, compreendê-las, como um dia alguém também te compreendeu a ti. Porque o pior de chegar ao cimo é precisamente esquecer o caminho que até lá fomos obrigados a percorrer. Não deixes que aconteça contigo. Nunca te esqueças das tuas origens porque são elas que te permitem ser a criança que és, o rapaz em que te transformas e o homem que permanecerás. 

 

Um beijo de boa sorte e... as mais sinceras felicidades...

 

     

publicado por Inês Alves às 22:43
12 de Maio de 2009

Hoje, enquanto almoçava sozinha no Fórum Montijo, vivi uma situação verdadeiramente hilariante. Estava eu a comer a minha salada (com aquele salmão fumado que sabes que adoro), quando um rapaz me abordou, perguntando-me se era comprometida (repara no pormenor: comprometida; podia perguntar se namorava, mas não, preferiu comprometida. Quase como: a menina dança?, se é que me entendes). Creio que quase me engasguei com os espinafres. Levantei o olhar e, como não lhe respondi imediatamente,  teve ainda tempo para acrescentar: "Não pude deixar de reparar que és muito bonita..."  (bah... tão básico, pensei) e tornou a fazer-me a mesma pergunta. Não foi inteligente a forma como me abordou mas não pude deixar de lhe achar piada. Lembro-me do seu sorriso (é sempre aquilo que fixo primeiro; o sorriso e as mãos, não sei explicar porquê...). Do bom ar, vestido de fato, que lhe assentava que nem uma luva (tenho de admitir). Pensei: deves trabalhar há pouco tempo. Após estes pequenos segundos de raciocínio - enquanto ele olhava para mim com o tabuleiro nas mãos - meti o meu ar mais sério (o que conheces e a que sabes que recorro quando as investidas me irritam, ou seja, por norma, quase sempre) e respondi-lhe:  "Podes sentar-te aqui porque vou levantar-me já" (brutinha, como só tu sabes que, às vezes, sou; ao invés de calar deito tudo para fora, mas que hei de fazer?). Reparei, de soslaio (para não dar nas vistas), no ar desiludido com que ficou (não é fácil apanhar uma tampa), mas tive a certeza de que não ficaria sozinho por muito tempo. A verdade é que acabei por não lhe responder. Naquele instante, lembrei-me de ti (embrenhado em fórmulas, contas e algarismos para passar no exame) e duvidei eu própria da resposta. Pensei no apoio e na tua presença constante, ainda que, às vezes (e tu sabes), prefira estar sozinha. Sabes que gosto. Sabes que preciso do meu espaço e do meu silêncio. De momentos comigo, a sós. Para pensar, para lembrar, para saber se vale a pena arriscar ou deixar assim (sempre foi, sempre será. Será?). Enquanto procurava a resposta, tive a sensação de que deixamos passar muita coisa por nós sem que nos apercebamos disso. Mas, naquele dia, não estava receptiva a nada. E é preciso que saibamos estar para que as coisas possam, efectivamente, chegar até nós e permanecer connosco por algum tempo. O necessário para deixar mossa. Para que queiramos mais. Para que procuremos mais. Não foi o caso. Nem sempre é. Aliás, é-o muito pouco comigo. Sou exigente. Selecciono muito. Acho sempre que ninguém será igual. E acabo sempre por, em pouco tempo, confirmar isso, infelizmente. Não é por acaso que estive contigo durante tanto tempo e continuo próxima, sem saber muito bem (às vezes baralho-me) em que condição. Portanto, a partir de hoje não me perguntem se namoro. Não sei dar-vos resposta. Podem dizer-me "bora comer um gelado?" ou "vai um sushi?" , mas não digam, por favor, que sou bonita. Não quero saber. Prefiro saborear o gelado ou o sushi e falar. Falar muito. Conhecer. Conhecer muito. Para ter a certeza. A absoluta, não a aparente.    

publicado por Inês Alves às 22:55
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